Anderson Silva: o homem que perdeu para si mesmo
Estado - Opinião
Na noite do último dia 6, pude testemunhar a derrota de um homem para si mesmo, para o seu próprio ego. Estava viajando e dei a "sorte" de ter que realizar uma baldeação justamente no horário da luta principal do card principal do UFC 162 entre "o maior lutador de MMA de todos os tempos", Anderson Silva, até então, o detentor do cinturão da categoria dos pesos médios e o desafiante, o estadunidense Chris Weidman.
Silva estava invicto desde 2006, quando tomou o cinturão do também estadunidense Rich Franklin. Desde então, foram 10 defesas de cinturão em menos de 7 anos, incluindo algumas vitória contundentes contra adversários como o brasileiro Vitor Belfort (UFC 126), e talvez humilhantes, como contra Forrest Griffin (UFC 101), quando teve uma postura muito semelhante com a da noite passada, mas acabou triunfando. Sua agilidade ao lutar com a guarda baixa, desviando-se das investidas dos adversários, lhe renderam o apelido de spider ("o homem-aranha") e seu estilo provocador sempre dividiu opiniões, lhe rendendo desafetos, como Chael Sonnen, o qual foi derrotado pelo brasileiro por duas vezes.
Weidman é praticamente um novato no UFC, com apenas 10 lutas na carreira, mas o principal é que ele venceu todas as lutas que disputou até agora. Sempre muito respeitoso ao falar de Anderson Silva (algo raro no esporte), estadunidense afirmava que "Anderson Silva é o cara", mas com confiança também emendava: "Mas essa será a minha noite". E ele estava certo.
Durante a pesagem, quando normalmente o clima esquenta entre os desafiantes, sob a desculpa de desestabilizar emocionalmente o oponente, Silva deu-lhe um "selinho", esperando uma resposta agressiva do oponente. Weidman preferiu se conter e responder no ringue.
Quando a luta começou, o spider partiu para a sua estratégia de desestabilizar o focado Weidman, pedindo-lhe que batesse, que batesse mais forte. Sem se deixar abalar, o desafiante conseguiu derrubar o campeão e deixá-lo em apuros.
Depios de castigar Anderson com golpes no rosto durante boa parte do primeiro round, Weidman partiu para a "montada", mas o brasileiro conseguiu manter ao menos a meia guarda durante as investidas do oponente. Já no final, por muito pouco ele não conseguiu aplicar uma chave de perna no lutador tupininquim. Silva foi capaz de se livrar do domínio do estadunidense e a luta voltou a ser de pé.
Notando o visível cansaço do rival, Anderson Silva tentou mais uma vez usar de sua estratégia: pedia para que o desfiante fosse para cima dele, que batesse mais forte. Weidman não entrou na pilha, tentou encaixar alguns golpes, mas sempre atento aos contra-ataques do brasileiro, que abaixava cada vez mais a guarda.
Até que soou o gongo, fim do primeiro round. Não sou árbitro de MMA, mas na minha opinião, o round era do estadunidense, pois foi mais agressivo e conseguiu colocar o oponente em apuros por uma parte do assalto.
Com os fôlegos recuperados, voltaram para o segundo round. Anderson, crente de que Weidman teria gasto todas as suas energias no primeiro round, seguiu com a guarda baixa, provocando o desafiante, certo de que era intocável. Weidman acreditou que aquela seria sua oportunidade e partiu para cima. De início, parecia um replay da luta que Silva fez contra Griffin, quando desviou-se com perfeição de todos os golpes, e a provocação seguia aumentando: dançava, pulava, colocava as mãos na cintura, fazia sinais para que o oponente lhe batesse...
Faltando pouco menos de quatro minutos para o fim do segundo round, Weidman tentou um jab de esquerda que acertou Silva de leve. O brasileiro fez pouco caso do golpe e parou na pose "gorila com diarreia", que ele mesmo criou, pedindo: "Vai, me bate".
O desafiante então resolveu ir para cima do campeão, acertou mais um jab de esquerda, sem muita força, tentou mais dois golpes que passaram no vazio com a esquiva de Anderson, que tinha certeza absoluta que o ataque pararia por ali, permitindo-se ficar em uma posição nunca antes vista no universo das lutas:
E esse foi seu fim, pois Weidman ainda não tinha desistido. Partiu para mais um golpe, do qual o brasileiro se viu impossibilitado de desviar devido a sua pose esdrúxula. Um golpe certeiro, que derrubou aquele que todos consideravam invencível.
Uma vez no chão, Anderson nem deve ter visto os pares de soco que Weidman tentou lhe acertar (acertou no máximo dois), mas isso foi o suficiente para o juiz interromper a luta e decretar a vitória por nocaute do desafiante Chris Weidman. Uma derrota mais do que merecida para o ex-campeão.
Anderson Silva parece ter se esquecido que a primeira regra de qualquer arte marcial é o respeito pelo oponente.
Nunca fui partidário da ideia de que devo torcer para um atleta ou uma equipe só porque partilhamos da mesma nacionalidade. Torço e sempre torcerei pelo atleta que melhor me representar na disputa. Como ex-praticante de Karatê, posso dizer que o espetáculo circense promovido pelo sr. Silva em nada lembra as milenares artes marciais.
Mesmo tendo técnica superior, Anderson preferiu partir para o seu jogo sujo, porém efetivo. Só não contava com um adversário totalmente focado na vitória.
Obrigado Chris Weidman. Com seu respeito, dedicação, paciência e força de vontade, você lavou a alma de muitos fãs das artes marciais (mistas ou não), que como eu, sempre acharam ultrajante a forma de falar e lutar do homem-aranha brasileiro. Que esse seja o começo de uma nova era no MMA, onde o respeito fala mais alto que o ego.
* Henrique Barcelos é estudante universitário, fã de artes marciais e o desenvolvedor do portal MSHoje.com
Henrique Barcelos
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