Sábado 16/01/2021 14:48

PF expõe contradição do governo

Brasil - Ponto de Vista - O Dilema

 

Nada mais "velha política" que o alvo da operação de ontem da Polícia Federal no Senado

Senador Fernando Bezerra Coelho dá entrevista após reunião com oministro Sérgio Moro, em maio — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

* Por Helio Gurovitz

A operação de busca e apreensão promovida ontem pela Polícia Federal (PF) nos gabinetes do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, expõe a maior contradição do bolsonarismo depois que chegou ao poder: a necessidade de aliar a representantes do que chamava de “velha política” para fazer andar sua agenda legislativa.

Nada mais “velha política” que o pernambucano Bezerra Coelho, acusado de receber R$ 5,5 milhões em propinas no inquérito que motivou a operação, derivado da delação dos proprietários do jatinho cuja queda matou o governador Eduardo Campos em 2014 (na época aliado de Bezerra Coelho e candidato à Presidência).

Trata-se de apenas um dos sete inquéritos a que Bezerra Coelho responde no Supremo Tribunal Federal (STF). Nome de relevo na política pernambucana e líder de uma das mais poderosas oligarquias regionais, já passou por cinco partidos, sem a menor consistência ideológica: PDS, PFL, PMDB, PPS, PSB e, desde 2017, MDB. Foi ministro de Dilma Rousseff, seu filho foi ministro de Michel Temer e, desde o início do ano, tornou-se líder do governo Jair Bolsonaro no Senado.

Nesse papel, Bezerra Coelho é essencial para a aprovação de projetos governistas. A começar pela reforma da Previdência, cuja primeira votação no Senado é prevista para a semana que vem. Mas também as indicações de Augusto Aras para chefiar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e, mais relevante ainda para o presidente, de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador em Washington. Bezerra Coelho se tornou o rosto do bolsonarismo nos corredores do Senado.

Determinada “de ofício” pelo ministro Luís Roberto Barroso há cerca de dez dias, a operação de ontem atendeu a um pedido da PF, sem contar com o aval da então procuradora-geral Raquel Dodge, que sempre resistiu no cargo a enfrentar os interesses mais graúdos e às operações mais espalhafatosas.

A operação se dá num momento de crise para a Operação Lava Jato (leia mais aqui) e num quadro político delicado para a PF: seu diretor-geral, Maurício Valeixo, acaba de ser mantido no cargo contra a vontade de Bolsonaro, que chegou a fritá-lo em público por divergências ligadas a investigações que atingem interesses de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Se Valeixo caísse, é provável que o ministro Sergio Moro, cuja tensão com Bolsonaro só tem crescido, também saísse do governo.

Como resultado, amplia-se a tensão entre os poderes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu recorrer ao STF contra a decisão de um ministro do próprio STF. Tramita na Casa o pedido de uma CPI para investigar os juízes do Supremo, conhecida como Lava Toga. Alcolumbre resistiu a levá-lo adiante, depois da aproximação entre Bolsonaro e o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, que beneficou Flávio com uma decisão que paralisa investigações fiscais.

A Câmara aprovou recentemente a Lei de Abuso de Autoridades, que contraria a visão de Moro e dos procuradores da Lava Jato. Até agora tem deixado em segundo plano o pacote de medidas contra o crime e a corrupção, essência do plano de governo do ministro. Enquanto isso, parlamentares têm aberto várias iniciativas para resgatar poderes tolhidos no auge da Lava Jato – entre as quais o afrouxamento da legislação eleitoral.

Não há como Bolsonaro escapar do dilema. Ele precisa de personagens como Bezerra Coelho e da “velha política” para fazer andar sua agenda. Ao mesmo tempo, foi eleito com um programa de governo que previa acabar com essa turma. A intransigência poderia lhe custar ainda mais caro e paralisar completamente o país.

O preço que Bolsonaro paga é sentido aos poucos nos índices de popularidade, à medida que decepciona o eleitor que via nele um símbolo de honestidade e luta contra a corrupção. Por enquanto, a presença de Moro no governo ainda tem servido de antídoto. Mas o ministro já deu sinais de ambições para 2022. Sua permanência no governo é hoje questão de conveniência e circunstância.

A operação de ontem mostra que as corporações cujo poder aumentou com a Lava Jato e o combate à corrupção não estão interessadas em perdê-lo. E torna Moro, mais que Bolsonaro, o portador dessa bandeira popular. Torna mais evidente para o público um conflito que o presidente preferiria manter restrito aos gabinetes de Brasília.

 

 

 * Helio Gurovitz

Diretor de redação da revista Época por 9 anos, tem um olhar único sobre o noticiário. Vai ajudar você a entender melhor o Brasil e o mundo. Sem provincianismo

 

G1

Compartilhar faz bem!

Eventos

  • 1º Encontro dos Amigos da Empaer

    1º Encontro dos Amigos da Empaer

    Cidade:Dourados
    Data:29/07/2017
    Local:Restaurante / Espaço Guarujá

  • Caravana da Saúde em Dourados II

    Caravana da Saúde em Dourados II

    Cidade:Dourados
    Data:16/04/2016
    Local:Complexo Esportivo Jorge Antonio Salomão

Veja Mais Eventos

Balcão de Oportunidades / Empregos(Utilidade Pública)

Não é cadastrado ainda? Clique aqui

Veja todas as ofertas de vagas

Cotações

Indisponível no momento

Universitários

Serviço Gratuito Classificados - Anúnicios para Universitários

Tempo / Clima

Newsletter
Receba nossa Newsletter

Classificados

Gostaria de anunciar conosco? Clique aqui e cadastre-se gratuitamente.

  • Anúncios

Direitos do Cidadão

Escritório Baraúna-Mangeon Faça sua pergunta
  • Tem uma senhora dai de Campo Grande que é uma estelionatá...Tem uma senhora dai de Campo Grande que é uma estelionatária aqui em Cuiabá, levou muita grana nossa, e uma eco esporte. Ela se chama LEUNIR..., como faço pra denunciar ela aí nos jornais?Resp.
  • Boa tarde, minha sogra teve cancer nos seios e retirou um...Boa tarde, minha sogra teve cancer nos seios e retirou um eo outro parcial ja faz um bom tempo que nao trabalha e estava recebendo auxilio doença mas foi cancelada e ja passou por duas pericias e nao consegui mais , sera que tem como ela aposentar?Resp.
  • quanto porcento e o desconto para produtor rural hoje out...quanto porcento e o desconto para produtor rural hoje outbro de 2013Resp.
  • meu irmao cumpriu dois ano e meio de pena foi asolvido 7 ...meu irmao cumpriu dois ano e meio de pena foi asolvido 7 a zero caso ele tenha alguma condenacao esse 2 anos e meio pode ser descontadoResp.
  • gostaria de saber se ae em muno novo vai ter curso pilota...gostaria de saber se ae em muno novo vai ter curso pilotar maqunas agricolas?? se tiver como fasso pra me escreverResp.
+ Perguntas

Espaço do Leitor

Envie sua mensagem:
Sugestões, críticas, opinião.
  • iraci cesario da rocha rocha

    Procuro minha irmã Creusa Maria Cesario ela era de Dracena SP , minha mãe esta idosa 79 anos precisa ver ela se alguem souber nos avisa ..contato 018 996944659 falar com Iraci ..minha irmã foi vista nessa região

  • iraci cesario da rocha rocha

    Boa noite , estou a procura da minha irmã Creusa Maria Cesario desapareceu ha 30 anos , preciso encontrar porque minha mãe esta com 79 anos e quer ver , ela foi vista ai por essa região , quem souber nos avise moramos aqui em Dracena SP

  • maria de lourdes medeiros bruno

    Parabéns, pelo espaço criado. Muito bem trabalhado e notícias expostas com clareza exatidão. Moro na Cidade de Aquidauana e gostaria de enviar artigos. Maria de Lourdes Medeiros Bruno

  • cleidiane nogueira soares

    Procuro por Margarida Batista Barbosa e seu filho Vittorio Hugo Barbosa Câmara.moravam em Coração de Jesus MG nos anos 90 .fomos muito amigos e minha família toda procura por notícias suas.sabemos que voltaram para Aparecida do Taboado MS sua cidade natal

  • Simone Cristina Custódio Garcia

    Procuro meu pai Demerval Abolis, Por favor, me ajudem.Meu telefone (19) 32672152 a cobrar, Campinas SP.

+ Mensagens